PambazukaAtravés das vozes dos povos da África e do Sul global, Pambazuka Press e Pambazuka News disseminam análises e debates sobre a luta por liberdade e justiça.

Assine

Assinar gratuitamente!



Doações

Monitor da União Africana

Este site foi criado por Fahamu para fornecer um feedback freqüente às organizações da sociedade civil africana sobre o que está acontecendo na União Africana.

Taxas para vagas de publicidade no Pambazuka News

As taxas mostradas abaixo são para um anúncio de quatro semanas no ar

Banda A - Entidades de caridade, ONGS e Organizações sem-fins lucrativos com um movimento de caixa menor de $200,000: $50.00
Banda B - Entidades de caridade, ONGS e Organizações sem-fins lucrativos com um caixa entre $200,000 - $1,000,000: $150.00
Banda C - Entidades de caridade, ONGS e Organizações sem-fins lucrativos com um caixa maior que $1,000,000: $350.00
Banda D - Empresas do governo ou do setor privado: $500.00

Para postar um anúncio, mande um e-mail para: info [at] fahamu [dot] org.

Estamos dispostos dispensar das taxas as organizações sem-fins lucrativos da África com um orçamento limitado.

Pambazuka Press

Food Rebellions! Food Rebellions! Crisis and the hunger for justice Eric Holt-Giménez & Raj Patel.

Food Rebellions! takes a deep look at the world food crisis and its impact on the global South and under-served communities in the industrial North. While most governments and multilateral organisations offer short-term solutions based on proximate causes, authors Eric Holt-Giménez and Raj Patel unpack the planet's environmentally and economically vulnerable food systems to reveal the root causes of the crisis.

Visit Pambazuka Press

Faça Doação Para Ajudar Ao Pambazuka Continuar!

Ajude-nos a garantir que os assinntes do Pambazuka News o receba gratuitamente: cada $5.00 ajuda a garantir a assinatura por um ano. Por isso, doe generosamente para que o melhor newsletter africano para justiça social chegue onde ele é necessário.

del.icio.us

Visite Pambazuka News@del.icio.us. Nossa página no site Del.icio.us social bookmarking.

Creative Commons License
© A menos que indicado, todo material está licenciado sob o título Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Unported.

Comentários e análises

A pobreza e a cor da pobreza no Brasil

Luiza Bairros

2011-05-17, Edição 38

http://pambazuka.org/pt/category/comment/73364

Bookmark and Share

Versão para imprimir


cc A C
Luiza Bairros é a nova ministra da Secretaria de Reparação e Igualdade Racial do Brasil, neste texto ela discute sobre a cor da pobreza neste país bem como fornece ao leitor uma visão ampla e critica sobre a história do negro no Brasil. Ela alerta a população brasileira o fato de que existe uma premência e uma continuidade da cor - preta - negra - na faixa de maior exclusão social brasileira, tal como comprovado pelo Censo de 2010.Urge uma compreensão política e governamental sobre a condição da população negra no Brasil.

Os negros têm a oferecer suas estratégias de resistência ao racismo, que, desde o período colonial, interpôs obstáculos à afirmação da humanidade

Em "Leite Derramado", mais recente romance de Chico Buarque, há um personagem que, ao se referir com ironia ao radicalismo de seu avô abolicionista, afirma que ele "queria mandar todos os pretos brasileiros de volta para a África".
Nessa visão, abolicionismo radical equivalia a se livrar dos negros. De todo modo, após 1888, as elites brasileiras irão se comportar como se os libertos, que as serviram por quase quatro séculos, não estivessem mais aqui. Mas estavam, e por sua própria conta.

No início do século 20, eram frequentes os prognósticos sobre o desaparecimento da população negra, que supostamente não sobreviveria ao século.

Ao mesmo tempo em que se criticavam as soluções de laboratório defendidas pelo ideário eugenista, em voga aqui e em muitos países, também se apostava no embranquecimento via miscigenação.

Mais tarde, ao se debruçar sobre os resultados do Censo de 1940, Guerreiro Ramos considerou "patológico" o desequilíbrio nas respostas ao quesito cor, tendentes, em sua esmagadora maioria, a sobrevalorizar a cor branca.

Na contramão dessa tendência, os dados censitários de 2010, há pouco divulgados, confirmam o que já se delineava no Censo de 2001: iniciativas de valorização da identidade, com origem nos movimentos negros e hoje em processo de institucionalização, asseguraram a maioria negra em uma população que ultrapassa 190 milhões de brasileiros.

Nesse longo percurso de afirmação, as mudanças não se limitaram a uma percepção de si mais positiva, exclusiva dos afro-brasileiros.

A consciência negra avançou em conexão íntima com a consciência social como um todo. Não se trata, portanto, da mera substituição de um segmento populacional dominante por outro, mas do reconhecimento de que os valores do pluralismo ajudam em muito a consolidar nosso processo democrático.

Contudo, ainda persistem dificuldades a serem enfrentadas.

Hoje, temos uma sólida base de dados, que mostra reiteradamente que mulheres e homens negros estão entre os brasileiros mais vulneráveis, numa proporção muito maior do que sua presença relativa na população total.

Por isso, a priorização da erradicação da pobreza extrema pelo governo da presidenta Dilma abre possibilidades inéditas de abordar rica e diversificada experiência humana, que ainda precisa ser considerada em toda a sua amplitude.

O sucesso das iniciativas de combate à pobreza extrema requer a reversão de imagens negativas, a superação de práticas discriminatórias e o redimensionamento dos valores de cultura e civilização que, afinal, contra todas as expectativas, garantiram a continuidade dos descendentes de africanos no país.

Quando o assunto é superação da pobreza extrema, é justo supor que os negros tenham algo a dizer.
Segmentos empobrecidos de outros grupos raciais também o terão, é certo. Mas os negros têm a oferecer suas estratégias de resistência ao racismo, que, desde o período colonial, interpôs obstáculos ideológicos e culturais à afirmação plena de sua humanidade -a base das desigualdades de renda e de oportunidades que ainda vivenciam.

Assim, no atendimento a direitos básicos que articulam renda, acesso a serviços e inclusão produtiva, é preciso tornar visíveis e valorizar dimensões da pessoa e do universo afro-brasileiro que desempenham papel decisivo na conquista da autonomia. Todos somos humanos, e a resistência aos processos desumanizadores do racismo é, de longe, a maior contribuição dos negros à cultura brasileira.

*Luiza Helena de Bairros é conselheira do CDES e ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.
**Por favor envie comentários para editor-pt@pambazuka.org ou comente on-line em http://www.pambazuka.org

↑ Voltar ao Topo

ISSN 1753-6839 Pambazuka News English Edition http://www.pambazuka.org/en/

ISSN 1753-6847 Pambazuka News en Français http://www.pambazuka.org/fr/

ISSN 1757-6504 Pambazuka News em Português http://www.pambazuka.org/pt/

© 2009 Fahamu - http://www.fahamu.org/