Artigos Principais
Nota à Imprensa: Roteiro dos Jovens sobre o período Transitório e pós Transitório na Guiné-Bissau
Juventude Guineense
2013-05-20, Edição 50
Este texto é o resultado de um encontro que houve em Guiné Bissau da juventude. Ele ressalta a importancia do papel que os jovens tem na formação política do país, bem como exorta os cidadãos a participarem efetivamente da mudança política que assola o país. A visão que o jovem tem de todo processo violento que ocorre no paíse deve ser levado em consideração, pois as sensibilidades locais acabam efetivamente por ceifar vidas que poderiam contribuir para o crescimento da nação.
Nota sobre a abolição da escravidão e o racismo no Brasil.
Cidinha da Silva
2013-05-20, Edição 50
A abolição da escravidão é um tempo de longa duração. O evento terminou, mas o tempo dele perdura. O racismo, como sistema ideológico, não é desdobramento da escravidão. Trata-se de uma formulação construída no século XIX para justificá-la, para ratificar a inferioridade atribuída às pessoas escravizadas.
A questão da vinda dos médicos cubanos para o Brasil
Pedro Saraiva
2013-05-20, Edição 50
O Brasil passar no momento por uma ampla discussão sobre a vinda de médicos estrangeiros ao país para trabalhar em áreas remotas. O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
Treze
Hilton Cobra
2013-05-20, Edição 50
Este 13 de maio de 2013 marca os 125 anos da Abolição da Escravatura no Brasil. Na contramão da História considerada oficial, esta efeméride não reduz-se à promulgação da Lei Áurea, subscrita pela princesa Isabel, que num ato de extrema “bondade” teria concedido a liberdade aos negros escravizados, mas, fundamentalmente, traz à superfície as múltiplas formas de insurreição negra (quilombos, revoltas, atos de rebeldia, instauração de uma tradição negro africana) como núcleos vitais de resistência coletiva à escravidão no Brasil, o último país das Américas a extingui-la.
Por que você deve estar com raiva de cultura do estupro da Nigéria?
Ijeoma Ekoh
2013-05-09, Edição 49
Neste pungente artigo, Ifeoma debate toda sua indignação com a cultura do estupro na Nigéria e argumenta como esse tipo de violência está intrinsecamente ligado à pobreza e diferenças de classe e corrupção no país. Ela elenca os três principais motivos porque devemos ter raiva desta situação, e tornar esta raiva em atos que mobilizem a cultura em direção à transformação do pensamento, não mais responsabilizando a mulher pela violência sofrida.
Reflexões sobre a novela brasileira e o panafricanismo
Edwin Rwigi
2013-05-09, Edição 49
Como podem os laços de solidariedade ser reforçada entre africanos continental e os movimentos negros no Brasil? Para começar, uma profunda apreciação de um compartilhada do patrimônio dos dois povos é necessário
Revista de noivas despreza negras
Lola
2013-05-09, Edição 49
Vevila vai casar agora no meio do ano. Parabéns, Vevila!Só tem um probleminha: ela é negra e não alisa o cabelo. Pelo jeito, não há penteados possíveis para quem está fora do padrão de beleza. Ela me enviou este caso inacreditável sobre sua busca por um penteado pro dia de seu casamento. Sério mesmo, é ler para crer.
Uma nova guerra em Moçambique?
Luca Bussotti
2013-04-29, Edição 48
Neste artigo, o professor Luca Bussotti argumenta das possibilidades ou não de uma volta ao estado de guerra em Moçambique, em verdade as diferenças políticas entre a Renamo e a Frelimo serão diminuídas numa época pós Guerra Fria de acordo com os interesses do capital, num mundo não mais bipolar.
Apresentando os BRICS de cima e de baixo
Patrick Bond
2013-04-15, Edição 47
Em Durban, África do Sul, cinco chefes de estado se reúnem entre 26 e 27 março para garantir ao resto da África que as empresas de seus países são melhores investidores em infra-estrutura, mineração, petróleo e agricultura do que as tradicionais multinacionais europeias e norte americanas. A cimeira entre Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul (BRICS) também incluirá 16 chefes de Estado da África, incluindo alguns tiranos notórios.
As recomendações do 5º Fórum Acadêmico dos BRICS
2013-04-15, Edição 47
O 5º Fórum Acadêmico dos BRICS, composto por especialistas e acadêmicos de pesquisa e instituições acadêmicas da Índia, China, Brasil, Rússia e África do Sul, reuniu-se nos dias 11 e 12 março, 2013, em Durban.
Serão os novos parceiros da África do Sul tão diferentes do Ocidente?
Peter Fabricius
2013-04-15, Edição 47
O Congresso Nacional Africano não gosta de ser atacado a partir da Esquerda. Ataques da Direita podem, naturalmente, ser descartados como jovialmente racista / neo-colonialista / imperialista / liberal, o nome dele. O ANC transborda dicionário com farpas prontas para a direita.
BRICS: um espectro de aliança.
Anna Ochkina
2013-04-15, Edição 47
A construção do BRICS é artificial em muitos aspectos. Esta aliança é mais visível nos debates de mídia do que em práticas políticas internacionais. Mas há uma razão para que estes países se reúnem, exceto fazer fantasias reais de especialistas e jornalistas? Sim, há
Os BRICS mudarão o curso da história?
Oliver Stuenkel
2013-04-15, Edição 47
Há duas maneiras fundamentalmente diferentes de compreender o surgimento do conceito de BRICS. O primeiro é que a ideia de Jim O'Neill foi bem sucedida porque apenas articulou uma unidade já existente para um "aumento do poder de identidade" e uma cooperação mais estreita entre esses países.
Fraude eleitoral e lutas democráticas no Quênia
Lições do processo eleitoral 2013
Horace Campbell
2013-03-29, Edição 46
Ao contrário das eleições de 2007, as recentes eleições no Quênia evitou derramamento de sangue maciço e deu a vitória à Coligação Jubileu. Uma análise do significado das eleições é dado e argumenta-se que o poder político não pode ser monopolizada por um setor da classe capitalista.
Eu acho que!
Victor Pereira
2013-03-29, Edição 46
As atribulações que o nosso processo de transição atravessa, no momento em que escrevo estas linhas, têm todas as características de um impasse ditado por agendas e estratégias partidárias e outras, provenientes das mais variadas origens. Estas controversas seriam e são sempre salutares em qualquer democracia que se preze. Porém, a especificidade do nosso caso requer uma procura de soluções mais abrangentes
O jornalista nas democracias modernas
Domingos da Cruz
2013-03-29, Edição 46
Não acredito nas comunicações para mudar Angola. Não acredito mais em conferências. Neste país o diálogo para alterar a realidade é impossível porque os possíveis interlocutores não conhecem a lógica do diálogo, mas a das armas que os permite impôr todas as suas vontades porque partem do pressuposto de que todos que têm uma opinião contrária é inimigo e alvo a bater.
A vida de um estudante saráui nos territórios ocupados do Saaara Ocidental
Mohamed Brahim
2013-03-17, Edição 45
Ismail Hamdi, um estudante saráui, é de Elaaiun onde ele nasceu e foi criado. Quando ele primeiro abriu os olhos para este mundo, ele viu a opressão, abusos e pilhagem dos recursos naturais. Ele tem testemunhado o trabalho da ocupação em sua terra natal: o Saara Ocidental.
Você tem alguma ideia do que seja pátria para um refugiado?
Asria Mohamed Taleb
2013-03-17, Edição 45
Algumas pessoas acham rude para perguntar-lhes sobre sua idade, ou o quanto eles ganham, enquanto outros acham que é ofensivo para perguntar-lhes sobre a sua religião. Para mim, como uma refugiada, nada me deixa mais irritada, triste e com ódio do que perguntar-me sobre "o que é o lar para você?" Acho que é muito significativa essa pergunta, é como se você está pedindo a alguém em cadeira de rodas porque você não pode andar? Desde que cheguei aqui, até agora e devido à interação com novas pessoas todos os dias, Eu tenho que enfrentar o desafio de responder a esta questão, ou pelo menos dar uma explicação simples para ajudar os outros a entender a nossa situação complicada. Mas as dificuldades que estou a tratar são mais sobre "Como eu poderia descrever algo que eu nunca tive?"!
Saara Ocidental: o conflito territorial mais longo e mais esquecido da África
Aluat Hamudi
2013-03-17, Edição 45
O conflito do Saara Ocidental é uma das disputas territoriais mais duradouras da África. Ele já se arrasta por mais de três décadas. O território é contestado pelo Marrocos e pela Frente Polisário, que em fevereiro 1976 proclamou formalmente nosso governo no exílio chamado de República Árabe Saráui Democrática. A autoproclamada república tem sido um membro da União Africana desde 1984. Tem sido reconhecido por mais de 82 nações. Enquanto isso, a questão tem estado na agenda das Nações Unidas desde 1966, mas a comunidade internacional não conseguiu encontrar uma solução adequada entre as duas partes envolvidas. As razões para esta falha é a falta de interesse da comunidade internacional e do poder do Ocidente na luta estratégica região do Norte de África.
A OUA, a OEA e a questão do Saara Ocidental
Dr. Sidi Omar M.
2013-03-17, Edição 45
O Saara Ocidental é o último caso descolonização africana na agenda das Nações Unidas, ele que tem estado na lista das Nações Unidas de Territórios não-autônomos desde 1963, quando estava sob o domínio colonial espanhol. A Assembleia Geral da ONU tem reconhecido o direito inalienável do povo saráui à autodeterminação e independência, e chamou para o exercício desse direito, de acordo com a Resolução 1514 (XV), contendo a Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países Coloniais e dos povos. No entanto, o processo de descolonização do Saara Ocidental foi drasticamente interrompido devido à invasão militar de Marrocos e ocupação do território em 31 de outubro de 1975.
Diplomacia pública e gênero: uma exploração etnográfica do Saara Ocidental e representação informal na Itália
Sonia Rossetti
2013-03-17, Edição 45
O caso saráui representa um exemplo único de inclusão das mulheres na construção do Estado para um governo islâmico no exílio. A ativista palestina Randa Farah sugere que as mulheres saráuis tradicionalmente possuíam grande autonomia, apesar de ser em muçulmanas:[...] O Islã, tal como praticado pelos saráuis, é tolerante e liberal. Um dos vários exemplos de como RASD [República Árabe Saráui Democrática] tem sido capaz de recorrer a tradições locais é a sua institucionalização dos direitos das mulheres. Tradicionalmente, as mulheres têm total autonomia na gestão das atividades diárias e em torno da tenda. Qualquer forma de violência contra as mulheres, verbais ou físicas, é condenada e do homem geralmente é ostracizado pela sociedade. Consequentemente, estes incidentes são tão raros que a questão da violência doméstica contra as mulheres ou crianças é quase inexistente (Farah, 2003).
A IURD não é exactamente uma igreja, é uma empresa
Celso Malavoneke
2013-02-13, Edição 44
Nesta longa entrevista, Celso Malavoneke afima:"Sabemos todos os dias de pronunciamentos de cidadãos que podem ser ofensivos para as igrejas tradicionais como a católica e as protestantes e não há memória fresca de processos judiciais."Até porque temos que compreender os contornos da liberdade de imprensa, por um lado, e do direito, ou do dever dos jornalistas, de informar, porque do outro lado existe o direito constitucional do público de saber. O direito à informação. O jornalista, na maior parte dos países democráticos tem o direito à denúncia. É a tal coisa da criminalização versus descriminalização da actividade da imprensa. O mais engraçado é que, por exemplo a Igreja Universal, desses cento e setenta e dois processos que interpôs contra o jornalista brasileiro, não ganhou nenhum. Os processos que a Igreja Universal ganhou no Brasil, que eu saiba, são aqueles em que o seu líder, Edir Macedo, é acusado de lavagem de dinheiro, desvio de fundos, charlatanismo… então ganham alguns processos, outros não, outros conseguem que sejam arquivados. E o que me dói é que no Brasil quem move os processos contra a Igreja Universal é o Ministério Público, o equivalente à nossa Procuradoria Geral.
Diáspora-Fobia Progressiva na Guiné-Bissau
Filomeno Pina
2013-02-17, Edição 44
Neste longo texto, Filomeno Pina discute as relações inerentes à separação da Diáspora Guineense dum regime político vigente no País natal nos anos/70, a partir da independência do regime colonial Português. O autor irá discutir os aspectos psicológicos desse afastamento e as implicações sociais para a família guineense; atentando para uma critica a um oportunismo político.
Meu querido Patrice - Carta a Patrice Lumumba
Ama Biney
2013-02-17, Edição 44
No cinquentenário de assassinato de Patrice Lumumba por forças imperialistas no Congo, Ama Biney presenteia a nós leitores com esta interessante carta a Patrice na qual ela faz uma profunda análise da situação política no Congo e por extensão a todo continente africano em sua luta por liberdade e justiça social.
Os 20 anos de paz em Moçambique, uma reflexão filosófica
Brazão Mazula
2013-01-14, Edição 43
Quando falamos dos 20 anos de paz, estamos a dizer o quê? Estamos a dizer: i) que o país esteve em guerra fratricida; -- 2) que em 1992 foi assinado o Acordo Geral de Paz (AGP), na cidade de Roma, Itália, pondo termo ao conflito sangrento de dezasseis anos e --3) que o conflito e a assinatura do AGP deram-se no século XX, mas celebramos os 20 anos no início do século XXI. Não sei se foi a tensão do século XX que se reflectiu em Moçambique, ou se foi Moçambique que agravou essa tensão política nos finais do século. Inclino-me mais pela primeira hipótese. Quero acreditar que a guerra fratricida tenha sido também reflexo do contexto mundial de guerra-fria que se vivia.
Não a uma nova guerra em Moçambique
Alexandre Braga
2013-01-14, Edição 43
A República de Moçambique, na África Oriental, tem uma taxa de crescimento da população de 2,8% ao ano, o que chega aos 24 milhões de habitantes em que 27% deles estão desempregados. Recentemente, a União Europeia anunciou para 2014 o fim das restrições à comercialização moçambicana com os europeu
Concentração e lógica de poder
Mario Paiva
2012-03-16, Edição 42

cc R PA recente remodelação efectuada pelo Presidente da república, José Eduardo dos Santos não trouxe grandes novidades, com excepção da reposição de algumas peças do xadrez, confirmando o que temos vindo a dizer: a concentração quase absoluta de poderes no próprio PR e num grupo restrito de personalidades tidas como indefectíveis.
Esclarecendo as coisas
João Melo
2012-03-29, Edição 42

cc O T EO meu artigo da semana passada irritou alguns oponentes radicais e sectários do actual governo angolano. Outros “opinion makers” locais, que realizam o mesmo esforço de equilíbrio que tenho procurado manter em relação à situação global do nosso país – o que, como disse no texto anterior, não é fácil em tempos de crispação política -, foram alvo da mesma reacção, a qual, em muitos casos, atingiu a fúria, a grosseria e a indigência argumentativa. Um ou outro desses adversários do governo tentou reagir com ironia, como os que alegaram que a constituição angolana não prevê “contramanifestações”.
Como inventar a democracia do amanhã face ao desafio da farsa democrática
Samir Amin
2012-03-03, Edição 41

cc SokwaneleAnte o que ele chama de a “farsa democrática”, Samir Amin levanta uma questão essencial: “Renunciar à [ao processo de] eleição?” A resposta é negativa, porém induz a nova interrogação: “Como associar as novas formas de democratização – ricas e criativas – permitindo assim que se faça da eleição uma prática diferente daquela concebidas pelas forças conservadoras?” Para Amin, este é o desafio.
Senegal: O partido Y en a marre (isso é o bastante) fecha de novo sob Wade
Tidiane Kassé
2012-03-03, Edição 41

cc C S8 de fev. de 1012, por Tidiane Kassé, análise de “eleição”
A principal fraqueza do processo democrático na África está em vias de desestabilizar o Senegal. Como aconteceu recentemente no Togo, na Costa do Marfim ou na República Democrática do Congo, a corrida presidencial chegou numa das “democracias modelos” do continente, abrindo as linhas de fratura que impelem o país em direção de profundezas ainda insuspeitas
