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Pambazuka News 35: Mídia brasileira em África
O reconhecido semanário eletrônico e plataforma para justiça social em África
Pambazuka News (Edição Português): ISSN 1757-6504
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Destaques desta edição
ARTIGOS PRINCIPAIS
- A televisão brasileira em Moçambique
COMENTÁRIOS E ANÁLISES
-Racismo no Brasil pela voz do embaixador de Cabo Verde
-Os primeiros silêncios no governo Dilma
SUMÁRIO DA EDIÇÃO INGLÊS
-Pambazuka News 511: Eleições na Costa do Marfim: crônicas de uma falha anunciada
SUMÁRIO DA EDIÇÃO FRANCÊS
-Pambazuka News 173 : Olhares africanos sobre a situação na Costa do Marfim
ALERTAS DE AÇÃO
-Por uma África liberta, também, de predadores africanos
OBITUÁRIOS
-Moçambique: Morreu o pintor moçambicano Malangatana
BLOG DA ÁFRICA
-Moçambique: O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos?
MULHERES & GÊNERO
-Global: ONU denuncia aumento de violência sexual no Congo, na Costa do Marfim e no Haiti
REFUGIADOS & MIGRAÇÃO FORÇADA
-Angola: Desembarques de imigrantes clandestinos preocupam as autoridades
-Libéria: ACNUR acelera distribuição de ajuda humanitária para refugiados
MOVIMENTOS SOCIAIS
-Angola: Uíge transformada em feira artística
ELEIÇÕES E GOVERNABILIDADE
-Cabo Verde: Candidatos enfrentam-se a partir do dia 14 de Janeiro na TCV
-Sudão: Presidente sudanês desdramatiza eventual divisão do país
MEIO AMBIENTE
-Cabo Verde: Cabo Verde é um doas paíse contemplados no Fundo Francês para o Ambiente
DESENVOLVIMENTO
-Angola: Censo da população será em 2013
-Guiné Bissau: Governo do Brasil vai construir laboratório para tratamento da tuberculose
GLBT
-Brasil: adolescente é espancado pelo padrasto ao se assumir homossexual e mãe perde guarda
RACISMO E XENOFOBIA
-Brasil: Preconceito nunca se apresenta claramente", diz 1º embaixador negro do Brasil
MÍDIA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
-Costa do Marfim: Sociedade civil ivoiriense denuncia consfisco da imprensa pública por campo de Laurent Gbagbo
NOTÍCIAS DA DIÁSPORA
-Brasil: Novo Governo quer consolidar a cidadania negra
CONFLITOS E EMERGÊNCIAS
-Guiné-Bissau: Juristas da União Africana preparam legislação sobre combate ao tráfico de droga
Alertas de ação
Por uma África liberta, também, de predadores africanos
Luíz Araújo
2011-01-10
http://pambazuka.org/pt/category/action/69963
“Não se pode ser tolerante para com os intolerantes”. Laurent Gbagbo e os seus apoiantes têm sido intolerantes, têm violado os princípios e valores que nos nossos dias sustentam a paz nacional e internacional socorrendo-se dos argumentos da violência e da chantagem.
Durante a primeira década do século XXI registou-se o assalto ao poder por líderes africanos que não respeitam a vontade dos cidadãos expressa nas urnas. Em consequência, a chantagem política violenta, além da prática de outros crimes, ceifou impunemente a vida a milhares de africanos. Os governos dos países africanos e a comunidade internacional renderam-se a sequestradores do Estado de direito e da democracia que impuseram às suas sociedades a obrigação da partilha do poder político entre vencidos e vencedores de eleições. O último mês desta primeira década do século XXI está a ser marcado por essa forma de preservação da posse do poder.
A Costa do Marfim está refém do seu ex presidente, derrotado nas últimas eleições. No dia 2 de Dezembro de 2010 a Comissão Eleitoral Independente declarou o líder da oposição, Alassane Ouatará, vencedor com 54,1% dos votos contra os 45,9% conseguidos pelo presidente cessante Laurent Gbagbo. Esses resultados foram anulados e essa decisão está a ser sustentada por forças militares e repressivas do Estado, entretanto privatizado, e sob controlo do presidente cessante.
Dia 4 de Dezembro 2010, no hotel em que se encontra refugiado com protecção de forças das Nações Unidas, Alassane Ouatará foi empossado como Presidente eleito da República da Costa do Marfim mas, nesse mesmo dia, noutra cerimónia, o presidente cessante também foi empossado nesse mesmo cargo.
O Embaixador do nosso país, a República de Angola, participou na cerimónia de tomada de posse do presidente cessante.
As Nações Unidas, a União Africana, a CDEAO, a União Europeia e os Estados Unidos da América, além de outras entidades da comunidade internacional, reconheceram a vitória eleitoral de Alassane Ouatará. Face à situação criada pela recusa do presidente cessante proceder à passagem pacífica do poder ao vencedor das eleições, já foram adoptadas sanções internacionais contra ele e seus colaboradores, assim como foram estabelecidas medidas que bloqueiam os seus actos junto de instituições políticas e financeiras. A CDEAO anunciou a decisão de, se necessário, recorrer ao uso da força para obrigar o presidente cessante a deixar o poder, tendo obtido como resposta a ameaça do lançamento do país na guerra civil.
Já tiveram lugar violentos confrontos entre cidadãos e forças militares. Pessoas foram mortas nesses confrontos e registaram-se alegações doutras terem sido presas e mortas nos dias que se seguiram a esses confrontos. Milhares de pessoas estão a procurar refúgio em países vizinhos. Uma greve geral pacífica foi iniciada na cidade capital do país.
Foram noticiadas pelos órgãos de comunicação social alegações – contestadas pelo Governo de Angola – denunciando a presença de militares angolanos na defesa do presidente cessante e pacificamente vencido nas urnas, Laurent Gbagbo.
O sequestro do Estado de direito e da democracia, combinado com a recusa de entrega pacífica do poder, complementada pela ameaça de lançamento do país na guerra civil, feita pelo presidente cessante contra a sociedade da Costa do Marfim e contra a comunidade internacional, colocam-nos perante o risco de milhões de cidadãs e cidadãos da Costa do Marfim e de milhares de emigrantes africanos e doutras origens que trabalham nesse país, nalguma forma e medida, poderem ser vitimados por um crime contra a humanidade.
Movidos pelo único objectivo de, enquanto cidadãos defensores dos direitos humanos, contribuirmos, acima de tudo, para o esforço internacional da defesa da paz e desses direitos, manifestamos a nossa solidariedade em relação às cidadãs e aos cidadãos da Costa do Marfim, assim como com os seus legítimos representantes e com os emigrantes que vivem e trabalham nesse país.
Apelamos particularmente a todos os governos africanos para que condenem inequivocamente a recusa de Laurent Gbago em proceder à passagem pacífica do poder e a sustentação dessa postura com a ameaça de cometer um enorme crime contra a humanidade pelo lançamento do país na guerra civil. Aos líderes africanos pedimos que ajam de modo coerente do princípio ao fim desse processo de subversão da ordem nacional da Costa do Marfim e da ordem internacional, para que vinguem o respeito pela democracia e os direitos humanos.
Pela salvaguarda da paz, da garantia do respeito pelos direitos humanos e do Estado de direito democrático na Costa do Marfim, apelamos às Nações Unidas, à União Africana, à CDEAO, à União Europeia e aos Estados Unidos da América para que:
i) Se mantenham firmes no propósito de fazer prevalecer o Estado de direito e a democracia sobre a subversão da sua ordem;
ii) Sejam mobilizados recursos humanos, materiais e financeiros com dimensão persuasiva tal que, por si só, tenha como efeito a subordinação à lei e a obrigação de defesa da ordem democrática pelas forças que neste momento mantêm refém o Presidente eleito e o Estado democrático de direito, a fim de se evitar o desastre humanitário perspectivado, de maneira chantagista pela ameaça de guerra civil, para concretização do sequestro do Estado e para a banalização da ordem internacional;
iii) Procedam de forma a que, contra quem se prove ter mandatado e ou executado violações dos direitos humanos, haja lugar a processo judicial criminal, com o propósito de se punir quem o mereça e instaurar a cultura da responsabilidade em África.
Luanda, 3 de Janeiro de 2011
Elias Mateus Isaac – Reverendo
Cell phone +244-917453979
Fernando Macedo – Professor Universitário
Cell phone: +244-923276671
>José Eduardo Agualusa – Escritor
Cell phone +351-918439575
Justino Pinto de Andrade – Professor Universitário
Cell phone + 244-918439575
Luiz Araújo – Artesão e Activista cívico
Cell phone: +244-912507343
Marcolino Moço – Jurista e Professor Universitário
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Pio Wacussanga – Padre
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* Luiz Araújo é ativista políticos e coordena a organização SOS Habitat em Angola.
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Artigos Principais
Televisão brasileira em Moçambique
Marilio Wane
2010-12-20
http://pambazuka.org/pt/category/features/69772
Marilio Wane destaca neste artigo a relação perversa entre a televisão brasileira e o projeto neoimperialoista do Brasil frente a países africanos. Em certa medida, a mídia brasileira funciona como um braço da política externa brasileira em África. Nesse sentido, esta relação se coloca muito problemática devido ao caráter racista da imprensa brasileira. De acordo com o autor, "a recente afirmação do Brasil como potência emergente no cenário político mundial coloca o país em novas posições na hierarquia da geopolítica contemporânea. Dentre tantas faces através das quais se revela este fenômeno, uma delas é de particular interesse para aqueles que procuram identificar novas interconexões e fluxos humanos no ambiente cultural globalizado: a projeção hegemônica sobre países africanos, especialmente os de língua oficial portuguesa". Vejamos, pois, como o autor desenvolve seus argumentos.
A recente afirmação do Brasil como potência emergente no cenário político mundial coloca o país em novas posições na hierarquia da geopolítica contemporânea. Dentre tantas faces através das quais se revela este fenômeno, uma delas é de particular interesse para aqueles que procuram identificar novas interconexões e fluxos humanos no ambiente cultural globalizado: a projeção hegemônica sobre países africanos, especialmente os de língua oficial portuguesa. Vejamos neste artigo, como este processo se dá em atualmente Moçambique, ex-colônia portuguesa tornada independente em 1975. Trata-se de um caso emblemático das possíveis novas configurações geopolíticas dadas por recentes mudanças à escala global. Mais ainda, o assunto aqui é o papel da cultura nesses processos, muitas vezes negligenciado quando se trata de fazer grandes análises sobre as dinâmicas macro-políticas atuais.
Dada a própria natureza do sistema colonial, os países africanos (no caso) são entidades políticas concebidas a priori em posição de subalternidade , como simples apêndices da Metrópole européia em todas as dimensões: política, econômica e cultural. Em relação a este último aspecto, temos como principal aspecto a incorporação da língua do colonizador na própria construção das identidades nacionais africanas. Para o nosso caso em questão, o português falado em Moçambique constitui-se em um patrimônio cultural genuíno, moldado e transformado pelos diferentes povos que compõem a diversidade cultural existente no país. Além disso, há também contribuições dadas pelas relações com os países vizinhos – todos ex-colônias britânicas – com quem os moçambicanos vem travando contato ao longo da sua recente história.
Já na atualidade, a entrada do Brasil neste quadro se dá na esteira da sua expansão político-econômica também recente, que por sua vez, vai encontrar um Moçambique em pleno processo de instauração de uma sociedade pretensamente democrática, a partir de meados da década de 1990 . O fato da língua comum faz deste país (assim como de Angola) uma área de influência privilegiada para a expansão brasileira, justamente pela condição única existente na região de estabelecer trocas que vão além da formalidade institucional. A particularidade destas trocas está no vasto campo que se abre para a inserção do notável capital humano brasileiro em várias áreas da sociedade moçambicana; via de regra, sobrepondo-se ao capital humano local, comparativamente menos qualificado. Note-se que estamos diante de uma relação flagrantemente desigual, em função das diferentes posições que os países ocupam no mundo contemporâneo.
Como expressão simbólica deste encontro de culturas, os meios de comunicação de massa exercem um papel fundamental no estabelecimento de valores e idéias que irão dar forma concreta à percepção social do fenômeno. Sem dúvida, dada a sua enorme capacidade de disseminar informações e visões de mundo, cabe principalmente à televisão o papel de atualizar os dados da realidade; longe de produzir uma imagem neutra dela, mas ao contrário, participando ativamente na construção da mesma. Enfim, um olhar sobre a inserção da televisão brasileira no cotidiano dos moçambicanos pode nos dar a dimensão exata deste quadro mais amplo que aqui se pintar.
Tele-visões: imagens à distância
Reflexo de uma “modernização” tardia que caracteriza a maioria dos países africanos, a atividade televisiva iniciou-se em 1981, com o surgimento da TVE (Televisão Experimental de Moçambique) . Desde então, ela foi se expandindo em termos de programação, de público e de cobertura, adentrando cada vez o dia-a-dia das pessoas num ritmo lento, porém suficiente para chegar a se massificar consideravelmente por todo o país. Neste início, deve se considerar o contexto político monopartidário - no qual todos os meios de comunicação estavam subordinados ao governo – que propiciou a hegemonia da TVM (Televisão de Moçambique, fruto do embrião TVE), a emissora estatal; como empresa pública, estava enquadrada no âmbito da política cultural oficial.
Já neste momento inicial, as telenovelas brasileiras eram destaque da programação, alcançando largo sucesso de público, primeiro com “O Bem Amado” em 1986 e “Roque Santeiro” no ano seguinte. Quatro vezes por semana e seis horas por dia, os moçambicanos iam incorporando personagens como Odorico Paraguassu, Zeca Diabo e Viúva Porcina ao seu imaginário. Daí para os dias de hoje, essa história só fez aumentar; com a ampliação da programação e o surgimento de outros canais nas décadas seguintes , tantos outros personagens e situações adentraram o universo cultural local, não de forma passiva, mas ao contrário, estabelecendo-se um diálogo criador de novos significados.
Inadvertidamente, muitas das temáticas trazidas pelas telenovelas desencadearam interessantes dinâmicas em Moçambique, desde a adoção de um vestuário mais “abrasileirado” (mais informal, contrastando com a formalidade do vestir local) até a debates públicos sobre diferentes temas, como a prostituição (retratada em “Laços de Família” e “Paraíso Tropical”), a juventude emergente consumista (vista no seriado “Malhação”), a corrupção, etc. Outros subgrupos da sociedade moçambicana também viram alguns de seus elementos culturais abordados nas telenovelas como os indianos (em “Caminho das Índias”) e os muçulmanos (em “O Clone”). Neste sentido, não se pode deixar de falar sobre o impacto das representações sociais sobre os negros – afro-descendentes - na teledramaturgia brasileira, seja nas produções que retratam a escravidão (como em “Escrava Isaura” e “Sinhá Moça”) ou naquelas que sublinham as suas posições subalternas e à violência a que estão mais expostos na sociedade.
Sem sombra de dúvida, a influência mais sensível deste fluxo intercultural está no vocabulário. Por via das telenovelas, o português brasileiro foi ganhando enorme espaço no dia-a-dia, ampliando-se assim, o repertório do próprio português moçambicano. Enfim, estudos mais aprofundados deste impacto ainda estão por se fazer, sem que se perca de vista o sentido desigual desta relação: são os meios de comunicação brasileiros que entram no cotidiano local e o contrário não se verifica. Longe disso. Conforme dito acima, estamos diante de um processo de projeção hegemônica de um país sobre outro, dentro do qual determinadas trocas simbólicas jogam um papel decisivo na sua consolidação e legitimação.
Sintonia fina
Entretanto, desde há um bom tempo, o fenômeno não se restringe às telenovelas. Acompanhando a própria expansão do mercado interno de comunicações no Brasil, a partir de meados dos anos 1990, uma série de outros programas televisivos passa a adquirir a capacidade de alcançar Moçambique e outras paragens . Estes são trazidos sobretudo pela Rede Record, cuja expansão mundial está diretamente ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é propriedade. E como tal, carrega naturalmente a visão de mundo subjacente a toda este corrente religiosa conhecida como “neo-pentecostalismo” (ou simplesmente “evangélicos”).
Comparada com as telenovelas da Rede Globo, a inserção da Rede Record em Moçambique é dotada de um caráter muito mais incisivo, não apenas por vir acompanhada da atividade religiosa em si , mas também pelo fato de em 1998, ter sido criada a TV Miramar (desde 2010, designada como Record Moçambique, é a líder de audiência no país) um canal local que retransmite parte programação original da TV Record, além de produções locais na mesma linha. Foi por esta via que programas de entretenimento como “Raul Gil” e “Eliana” tornaram-se sucesso de público no país. Para além destes, a veiculação de noticiário brasileiro acabou por expor mais ainda os moçambicanos a elementos da realidade brasileira.
É justamente a partir daqui que o processo como um todo começa a ganhar contornos mais complicados. Neste sentido, o caso mais emblemático foi a veiculação do célebre programa “Cidade Alerta”; trata-se de um noticiário policial sensacionalista, que aborda a questão da segurança pública de forma fragmentada e descontextualizada, onde o objetivo principal é atingir uma grande audiência a partir da espetacularização da já exacerbada violência das periferias brasileiras. Em Moçambique, este programa gerou um interessante caso de reflexividade, a ponto de em a sua exibição ter sido banida pelo governo, por supostamente estimular os criminosos locais a reproduzir técnicas e procedimentos “aprendidos” dos seus congêneres brasileiros. Aliás, é frequente os moçambicanos atribuírem problemas locais como a violência e “imoralidade” à influência dos programas de televisão brasileiros.
Entretanto, mais do que a simples veiculação das mazelas da sociedade brasileira – sendo a própria abordagem midiática em si uma dessas mazelas – ocorre hoje uma incorporação desse padrão estético nas próprias produções nacionais. É o caso do programa “Balanço Geral” , cujo formato originariamente brasileiro ganhou uma versão moçambicana, exibida pela TV Miramar. Trata-se de um programa de pretensa utilidade pública em que o apresentador faz as vezes de comentarista e de conselheiro diante das notícias, na sua maioria, sobre o cotidiano pobre e violento do chamado “povão”. Embora não apresente a violência de forma explícita, o programa segue a linha de antecessores como “Aqui e Agora”, “ratinho Livre” e o próprio “Cidade Alerta”, no sentido de incutir no telespectador uma visão bastante distorcida e conservadora da realidade social. Até mesmo o linguajar e a gestualidade do apresentador moçambicano remetem ao sensacionalismo original.
A imitação do padrão estético contida no “Balanço Geral” moçambicano acaba por reproduzir conceitos e pressupostos problemáticos para abordar questões sociais locais. Assim como ocorre no Brasil, é possível identificar afinidades entre o discurso noticioso (explícito na performance do apresentador) e o discurso religioso (subjacente, de inspiração “evangélica”). Neste caso, interessa transmitir ao público uma imagem de degradação humana, a partir da forma espetacular e banalizada com que os fatos são tratados; não se propõe reflexão ou diálogo aberto na abordagem de fenômenos complexos, mas pelo contrário, reforça-se o simplismo do senso comum para legitimar posições autoritárias . É justamente aí que o discurso religioso encontra campo fértil para se contrapor ao apocalipse social e levar a sua mensagem de “salvação”.
Outro exemplo vivo desta questão se deu recentemente, quando os moçambicanos tiveram a oportunidade de acompanhar – ao vivo - as operações das forças de segurança contra o narcotráfico no Complexo do Alemão (no Rio de Janeiro). Exposto à visão parcial dada pelos meios de comunicação brasileiros - pela Rede Globo e Record, basicamente - o público local acaba por ter como única referência a cobertura um tanto controvesa do tema. O dado preocupante aí é que trata-se desses mesmos grupos de mídia que investem pesado no mercado de comunicação moçambicano, ainda em expansão e extremamente aberto à influências externas.
Cenas do próximo capítulo...
Também em meados desta última década, a introdução do serviço de televisão a cabo ampliou ainda mais o leque de opções no mercado moçambicano, ainda que seja para uma elite bastante restrita. Além das já conhecidas TV Globo Internacional e Record Internacional (e o canal de notícias Record News) - que reproduzem quase que integralmente a programação brasileira – estão disponíveis também o canal de esportes PFC e a TV Brasil. Inclusive, esta última abriu escritório em Maputo no ano passado; e em termos de conteúdo, aparece como uma proposta mais interessante de diálogo intercultural.
Ainda em relação ao desenvolvimento da televisão propriamente moçambicana, há que se registrar o aparecimento da emissora privada STV, em 2002. De acordo com a percepção popular, a STV aparece como um fator de diversificação das fontes de informação, em contraposição à TVM, cada vez mais percebida no senso comum como uma caixa de ressonância do discurso oficial do governo . À medida em que se consolida, acaba por cumprir um papel importante no desenvolvimento da sociedade civil moçambicana, historicamente restrita por força de diversas contingências sociais e políticas. E uma vez que o cenário atual aponta para possíveis transformações no fazer televisivo moçambicano – seja em função de dinâmicas internas e pela pressão exercida pela qualidade técnica das produções externas (brasileiras, por exemplo) – mais do que nunca, impõe-se ao público moçambicano mais atenção com os conteúdos a que é exposto. Dada a condição de dependência externa e de vulnerabilidade que caracteriza o país, a televisão pode vir a ser um fator a mais do seu reforço.
*Marílio Wane é sociólogo, mestre em Estudos Africanos e colaborador do Pambazuka News em língua portuguesa.
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Comentários e análises
Racismo no Brasil pela voz do embaixador de Cabo Verde
Danniel Pereira
2010-12-20
http://pambazuka.org/pt/category/comment/69773
Neste artigo, o embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel Pereira, conta a discriminação que a filha Débora passa no colégio de Brasília. O caso foi usado como exemplo num artigo publicado no Correio Braziliense a propósito do lançamento da Campanha Nacional sobre o Impacto do Racismo na Infância e na Adolescência no Brasil. Deixemos-lhe o texto aqui, na íntegra.
O embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel Pereira, conta a discriminação que a filha Débora passa no colégio de Brasília. O caso foi usado como exemplo num artigo publicado no Correio Braziliense a propósito do lançamento da Campanha Nacional sobre o Impacto do Racismo na Infância e na Adolescência no Brasil. Deixemos-lhe o texto aqui, na íntegra.
O embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel Pereira, descreve o espanto que sentiu quando soube da discriminação que sua filha, Débora, sofre na escola. Duplo preconceito, por ser negra e por ser portuguesa. A menina também revela o que passa e o que sente no dia a dia num colégio de elite de Brasília.
É bem cedo que nascem o racista e a vítima do racismo. É na infância que a criança aprende com os adultos ou com outras crianças a discriminar o ser humano pela cor da pele. Para tentar ajudar a frear o surgimento de novas gerações de brasileiros hostis a brasileiros da raça negra, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lança, na próxima segunda-feira, em Brasília, a Campanha Nacional sobre o Impacto do Racismo na Infância e na Adolescência.
“As estatísticas apontam disparidades raciais que atingem crianças negras e indígenas que estão um pouco à margem do acesso às políticas públicas”, diz Helena Oliveira, responsável pelo programa de proteção à infância do Unicef. “A discriminação racial tem gerado graves efeitos na vida dessas crianças.” Especialmente, informa Helena, em meninos e meninas que vivem na periferia dos grandes centros urbanos, Brasília incluída, na Região Amazônica e no semiárido nordestino.
Os números são retumbantes: são 31 milhões de brasileirinhos negros e 150 mil de brasileirinhos indígenas. Desse total, 26 milhões são pobres e, entre esses, 17 milhões são negros. Há mais números impactantes: das 530 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola, 330 são negras.
O Índice de Homicídio na Adolescência, estudo do Unicef, revela que há 2,6 mais chances de um jovem negro ser assassinado do que um branco. Dados que sustentaram a necessidade dessa campanha que pretende “mobilizar toda a sociedade para alertá-la sobre o impacto do racismo na infância”, afirma Helena Oliveira.
A Unicef quer sensibilizar formadores de opinião, formuladores de políticas públicas, gestores privados, famílias, comunidades, escolas, universidades. “A responsabilidade dos adultos é muito grande, não podemos permitir que o racismo continue a se reproduzir no país”, alerta Helena. A campanha vai ser reproduzida em várias mídias, em folderes, camisetas e vai sugerir “10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo”.
O embaixador de Cabo Verde, Daniel Pereira, conta abaixo o espanto que sentiu quando soube da discriminação que sua filha, Débora, sofre na escola. Duplo preconceito, por ser negra e por ser portuguesa. A menina também revela o que passa e o que sente no dia a dia num colégio de elite de Brasília.
“O mundo de hoje é mestiço” Daniel Pereira, embaixador de Cabo Verde. Tem 59 anos, é historiador e ensaísta, escreveu diversos livros sobre a história de seu país. Casado, três filhas. Mora no Lago Sul.
Eu, como cabo-verdiano, não sei lidar com o racismo, porque em Cabo Verde nós ultrapassamos isso há muito tempo. Quando sou confrontado, no Brasil, com essa situação, me sinto um pouco constrangido. Nunca havia me deparado com essa situação aqui, mas minha filha mais nova já viveu essa realidade na escola. Ela tem 15 anos. Nós já vivemos na Holanda, em Angola, em Cabo Verde, em Portugal e ela nunca se deparou com o problema do racismo. Foi preciso chegar ao Brasil, paradoxalmente um país mestiço, para que isso acontecesse.
Ela estuda numa escola de elite e no dia a dia enfrenta situações as mais bizarras: anedotas, brincadeiras de mau gosto, coisas sem pé nem cabeça. Para ela, é constrangedor.
Quando ela me contou o que estava acontecendo, sugeri: ‘Diz aos teus colegas que nem os negros nem os portugueses deixaram descendentes aqui. Eles eram povos estéreis.’ Depois disso, as coisas abrandaram um pouco, mas volta e meia lá vem a questão novamente. Como a maior parte dos brasileiros é descendente de portugueses e africanos, todos têm uma família de portugueses ou uma família de africanos mesmo que não exista uma marca exterior dessa ascendência. É um pouco fora de propósito o racismo no Brasil. E o preconceito é também contra o português. Minha filha é filha de portuguesa, e é cabo-verdiana. Portanto, é africana também. Então ela ouve anedotas sobre portugueses e africanos. As pessoas não percebem que agindo assim estão satirizando a própria cara, estão matando a própria autoestima. Há qualquer coisa que não está funcionando bem. Muito a refletir, a ultrapassar.
Devo dizer que me sinto em casa no Brasil. É um paradoxo. Sou estrangeiro, estou fora do meu país e ao mesmo tempo me sinto em casa. A cultura que me rodeia é a minha cultura, a língua que eu falo é a minha língua, com mais ou menos sotaque.
Existe uma empatia de fundo histórico entre Cabo Verde e o Brasil. Muitos não sabem que aquilo que aconteceu no Brasil a partir de 1500 foi antecipado em Cabo Verde 40 anos. Cabo Verde foi descoberto em 1460. As experiências que foram feitas lá foram transplantadas para o Brasil.
Do ponto de vista político, com as capitanias hereditárias, por exemplo. A cana de açúcar foi introduzida no Brasil a partir de Cabo Verde, e não veio só a cana, vieram os técnicos e veio a tecnologia.
Muitos escravos que vieram de Cabo Verde para o Brasil vieram para trabalhar no canavial. A mestiçagem foi iniciada em Cabo Verde e foi transplantada para aqui. O coco, as vacas, os burros, o inhame foram introduzidos no Brasil a partir de Cabo Verde. É um conjunto de elementos que fizeram a base da matriz brasileira, que veio de Cabo Verde, da Guiné, do Senegal.
A relação histórica entre o Brasil e Cabo Verde é muito antiga. Costumo dizer que antes de ser já era, porque quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil passou primeiro por Cabo Verde. Porque Cabo Verde era um ponto de passagem obrigatória da navegação. Todos os grandes navegadores do mundo passaram por Cabo Verde. Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Cristovão Colombo, tamanha a importância que Cabo Verde teve no contexto do Atlântico, pelo menos até o século 17. Enquanto a navegação foi feita com a necessidade de escalas, Cabo Verde pertencia a todos os mapas. Quando a navegação pôde ser feita de costa a costa, Cabo Verde desapareceu do mapa.
A minha função aqui no Brasil, desde que cheguei, foi fundamentalmente dizer aos brasileiros: A África que vocês imaginam não existe. Não são só macacos, não são só leões, não é só safári. Estamos a falar de uma África em desenvolvimento. Na África existem quatro Nobel de Literatura. Não vejam a África como a selva. Esta África está em vias de desaparecer.
O mundo de hoje é mestiço e tende cada vez mais para essa mistura. É uma mistura tão grande que não vale a pena as pessoas ficarem se preocupando com o fato de ser branco ou negro. Existe a raça humana.
Sabe por que os cabo-verdianos não têm problema com a cor da pele? Um amigo que já morreu dizia que o cabo-verdiano era rico sem dinheiro e branco sem cor. Porque nós estávamos numa sociedade escravocrata formada por gente que durante muito tempo teve algum dinheiro. Depois que Cabo Verde empobreceu, o cabo-verdiano ficou com mania de rico. Então, rico sem dinheiro e branco sem cor por quê? Porque ele não aceita que você o defina pela cor da pele. Por uma questão de dignidade humana. As pessoas têm um nome e devem ser julgadas pelo seu nome, pela sua maneira de ser e não pelo aspecto externo de sua coloração cutânea.
Em Cabo Verde, como a mistura é grande, as pessoas são muito pobres e a pobreza horizontaliza — enquanto a riqueza verticaliza — as pessoas estão muito próximas umas das outras. É uma mistura tão grande que na mesma família você pode ter um irmão branco e pode ter outro irmão negro. Não tem como ser racista. Como é que você vai ser racista com seu próprio irmão?
Débora Pereira
Nasci na Holanda, mas sou cabo-verdiana e portuguesa. Estudo em escola de gente com bom nível econômico. No Brasil, tem um problema. Tem racismo, pelo menos na minha escola tem bastante. Os alunos falam que os negros são burros. A minha escola é muito boa, aprendo bastante e sei que ela vai me ajudar no meu futuro com certeza. Só que tem esse problema, e eu não sei se elas falam por mal, mas parece que sim. Me sinto ofendida porque meu pai não é branco. É estranho ter racismo no Brasil. Porque aqui é tudo misturado. Ser racista é xingar a si mesmo. Parece que o brasileiro não aceita que tem descendência negra, simplesmente não aceita. Já falei que não gosto que falem de negros, mas eles falam: ‘Ah, eu estou brincando’, mas sei que não estão.Eu sou umas das alunas de pele mais escura na minha sala, mas lá não tem ninguém muito branco, a não ser uma americana. O resto é tudo brasileiro.
E tem também o preconceito contra o português. O povo brasileiro tem algum problema com os portugueses. Eles acham que português é burro. E eles não falam só de mim, é do negro em geral. E eu sempre digo: ‘Para de falar isso’.Toda a família do meu pai tem ascendência africana. Antes eu ficava bem aborrecida, de berrar com a pessoa, mas agora só falo ‘não diz isso que eu não gosto’.
Adoro os brasileiros. Os portugueses são bem fechados, são mal-humorados e os brasileiros parecem ser sempre joviais, estão sempre sorrindo. Nos Estados Unidos, sou considerada negra. Então sou negra, tanto faz. Não tem problema. Mas eu não gostaria de definir a minha cor, porque minha mãe é branca e meu pai é negro. Então, eu sou o quê? A identidade não precisa de definição de cor. Já foi provado cientificamente que não existe raça. Tanto faz a cor da pele para mim, se a pessoa for azul, tudo bem. Não tenho cor.
Eu adoro as pessoas da minha escola. Tirando esse pequeno problema, o resto tudo bem.
*Danniel Pereira é embaixador de Cabo Verde no Brasil
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Os primeiros silêncios
Deonísio da Silva
2011-01-10
http://pambazuka.org/pt/category/comment/69962
O Brasil acabou de eleger a primeira mulher presidenta, alguém com uma história de luta na esquerda, porém, neste artigo, Silva analisa os primeiros silêncios do governo Dilma, embora este seja promissor de uma determinada continuidade social e liberal.
De Dilma Rousseff em seu primeiro discurso como presidente da República: "Não haverá discriminação, privilégios ou compadrio". Suas primeiras palavras e os primeiros gestos geraram as controvérsias iniciais, de algumas das quais me ocupo neste pequeno texto.
Ela prefere ser chamada "presidenta", como a si mesma se referiu no primeiro discurso e como está agora escrito na placa do carro presidencial: "Presidenta da República".
Criou, assim, a primeira ambiguidade lexical, pois presidente não pode ser a mulher do presidente. Só pode ser a presidente. E presidenta designa também a mulher do presidente, como atestam três dos dicionários mais consultados do Brasil, Aurélio,Houaiss e Aulete Digital, no verbete "presidenta".
Não está errada a denominação "presidenta". Mas na urna eletrônica estava escrito "presidente". Ela foi recebida no Brasil profundo como "a muié do Lula", por isso a ambiguidade foi reforçada e tem seu peso no significado da designação escolhida. Claro que nossa presidente quis com isso reforçar o gênero: foi a primeira vez que o povo elegeu uma mulher para presidente da República. E lhe coube esta honra.
Tem havido uma luta em favor da ampliação dos gêneros, antes confinados a masculino e feminino. No campo minado desses combates ideológicos, houve avanços indispensáveis nas denominações vinculadas aos gêneros, mas tem havido também muita bobagem. Nenhum guarda até hoje quis ser chamado de "guardo" nem estudante quis chamar-se de "estudanta" ou motorista de "motoristo" etc.
Má estratégia
Discursos políticos devem preferir a conversa clara, o trato justo e evitar as ambiguidades, sejam lexicais ou estruturais, que são bons recursos para um romancista como o seu conterrâneo João Guimarães Rosa, a quem Dilma chamou "poeta", e de quem, sem citar o nome do autor, incrustou pequeno trecho. Foi poeta medíocre, mas narrador genial, e é referência solar de nossas letras com o único romance que escreveu, Grande Sertão: Veredas, e com as narrativas curtas e médias, onde encontramos textos antológicos, como O burrinho pedrês e A terceira margem do rio, entre dezenas de outros contos, muitos deles marcados pela sabedoria dos animais. Por exemplo: o cavalo entra em lugar de onde não pode sair, mas o burro, não! Por isso, o burrinho pedrês salva a vida de um bêbado e de um desesperado.
A presidente tomou posse na capital que Juscelino Kubitscheck construiu e de onde João Goulart foi escorraçado do poder pelo golpe de 1964. Proclamou que não tem "ressentimento ou rancor". Suas palavras iniciais, gestos e primeiros silenciamentos dizem o contrário, pois só se referiu a Lula, sem reconhecer os méritos de Itamar Franco e de FHC, que arrumaram o país que Sarney e Collor, aliados dela e de Lula, esculhambaram.
É meu dever de intelectual apontar essas contradições, correndo o risco de ser entendido por poucos. O apagamento dos outros não é boa estratégia para firmar-se. Como ensinou Michel Foucault, "não há relação de poder entre sujeitos livres".
*Deonísio Silva é escritor e contribui para o Observatório da Imprensa.
**Por favor envie comentários para editor-pt@pambazuka.org ou comente on-line em http://www.pambazuka.org
Brasil: O FESMAN de Zulú Araújo*
Cristiano Lima
2011-01-10
http://pambazuka.org/pt/category/comment/69985
O III Festival MUNDIAL de Arte Negra - FESMAN está acontecendo em Dakar - Senegal, desde o dia 10 e vai até o dia 31/12, essa edição acontece com muito esforço e equívocos do Governo local, devido a fatores diversos teve alterada sua realização diversas vezes após seu lançamento para o Brasil em evento na Bahia. Foi também em Dakar que aconteceu a sua primeira edição ainda no ano de 1966, no momento histórico de surgimento de um País independente, com a voz de uma nova África, dona do seu destino. O festival sempre foi palco de diversas manifestações, não só artísticas mas políticas, foi lá que Abdias do Nascimento denunciou o racismo velado do Brasil, a farsa da democracia racial.
O FESMAN cumpre um papel fundamental na luta dos Africanos na sua diáspora, por isso essa 3° edição tem como tema o Renascimento Africano, onde o debate passa pelo Panafricanismo de uma África unida não só no seu continente mas em toda sua diáspora, por isso tem o Brasil como seu convidado de hora.
Desde de meados de 2008 a quando foi anunciado a primeira data do Festival, a sociedade civil brasileira entendo a importância do evento não ficou parada. Foram organizados diversas reuniões e debates em todo o Brasil, e formados diversos Comitês Pró FESMAN em vários Estados, a partir das primeiras iniciativas do movimento negro de Minas Gerais e da Bahia. Aqui na Bahia tivemos inscritos mais de 100 entidades políticas e culturais e pelo menos 120 pessoas entre estudantes, artistas e intelectuais engajados.
Durante a II Conferencia Nacional de Promoção da Igualdade Racial - CONAPIR, em Brasília, foi fundado o Comitê Nacional Pró - FESMAN, do qual participaram 18 Estados. No dia 25 de maio de 2009 no lançamento do Festival em Salvador se fez presente na mesa de abertura, ao lado do Presidente Lula e do Presidente do Senegal Abdulaye Wade, representação deste movimento.
Foram criados dois comitês por decreto governamental, um deles de caráter administrativo de caráter interno do Ministério da Cultura e outro de caráter Interministerial envolvendo outros ministérios ambos comitês destinados a organizar o Festival junto com o Senegal onde o Presidente Lula orientou no lançamento que tivesse um assento da sociedade civil, o que nunca aconteceu, pelo menos no que se refere a única articulação organizada o Comitê Nacional Pró FESMAN, o qual nunca foi convidado a estar nas reuniões.
No dia 10/12/2010 embarcou para Dakar - Senegal a delegação brasileira rumo ao III° FESMAN. Segundo a Fundação Palmares foram 326 pessoas. Entre artistas e intelectuais, estavam presentes Carlinhos Brown, Chico César, Margareth Menezes e a Escola de Samba Império Serrano.
Para além de questionar a representatividade da delegação, o que intriga a todos e todas é o desconhecimento sobre os critérios básicos para formação desta delegação.
O Comitê Nacional Pró FESMAN, desde a sua fundação enviou várias correspondências a então gestora do FESMAN no Brasil, a Fundação Palmares, atenciosamente ao seu Presidente Zulú Araújo, informando dos seus debates e organizações e, acima de tudo, propondo um debate do Renascimento Africano, não só na perspectiva de Dakar, mas no sentido de fazer esse debate aqui no Brasil.
Tivemos algumas reuniões públicas com o próprio Zulú para estabelecer esse debate, e nada foi encaminhado, alem de estabelecer contato direto com a organização do Festival em Dakar e ter várias reuniões com o Embaixador do Senegal no Brasil e o que vemos hoje é uma delegação escolhida a dedo, sem quaisquer debate ou meio democrático de escolha indo contra toda filosofia do Governo Lula.
Qual o objetivo central da atual gestão da Fundação Palmares com essa delegação?
Porque durante todo o período de organização do Festival a Palmares sempre fez questão de excluir a sociedade civil ?
São essas e outras perguntas que o Presidente da Fundação Palmares tem a obrigação de que responder.
Como ilustração a este assunto e dar ciência da dimensão dos erros cometidos, vale dar conhecimento da matéria abaixo publicada no jornal Tribuna da Bahia:
" Tribuna da Bahia
Valdemir Santana
Boa Terra
Publicada: 20/12/2010 00:36| Atualizada: 20/12/2010 10:16
Gil, Brown e balé fora do festival
Carlinhos Brown foi escalado com todas as honras binacionais entre o Brasil e o Senegal para ser uma das estrelas do “Festival Mundial das Artes Negras” o Fesman, que já começou em Dacar. Mas o artista ficou de fora. Gilberto Gil também era convidado e não viajou.
E pior ainda coreógrafo Vavá Botelho, que já participou do evento em Dacar quando era uma das glorias da cultura mundial. Mas agora Vavá e ficou desapontado com os problemas para viajar. Deveria levar um elenco de 33 artistas do “Balé Folclórico da Bahia” e também ficou de fora.
A queixa geral é que os acordos entre o Brasil e o Senegal para a viagem e hospedagem dos artistas estão muito confusos e ninguém se entende. “Recebemos a informação pelo coreógrafo Zebrinha de que iríamos ficar hospedados na Embaixada do Brasil no Senegal. Mas em que lugar da embaixada ninguém sabia, seria que iríamos para os jardins?” desabafa Vavá Botelho que é o coreógrafo brasileiro com maior agenda de espetáculos de dança no exterior.
José Carlos Arandiba, que assina os trabalhos artísticos como Zebrinha, está em Dacar, mas ninguém consegue falar com ele, se queixa Botelho. Enquanto isto a mídia internacional noticia a participação brasileira como se quase tudo estivesse sob controle. “O Brasil é o convidado de honra da terceira edição do Festival Mundial das Artes Negras que começou em Dacar” diz, por exemplo, a manchete da edição em português, do site da RFI, a “Radio França Internacional”.
A Fundação Palmares, como o FESMAN e a SEPPIR, são luta do Povo negro, e não podem ser usadas como quintal de politicagens de um ou de outro grupo ou pessoal.
Nesse novo período pedimos a Palmares de novo para o Povo Negro!!!
*O título original do artigo é "O FESMAN de Zulú Araújo - Ainda Presidente da Fundação Cultural Palmares"
** Cristiano Lima é colunista de Afropress
***Por favor, comente on line
Sumário da Edição Inglês
Pambazuka News 511: Eleições na Costa do Marfim: crônicas de uma falha anunciada
2011-01-11
http://pambazuka.org/pt/category/summaryen/70018
Eleições na Costa do Marfim: crônicas de uma falha anunciada
Pierre Sané
2011-01-06
http://pambazuka.org/en/category/features/69838
Enquanto a crise pós-eleitoral na Costa do Marfim continua, Pierre Sané discute as circunstancias que levaram a contestação dos resultados das eleições e ressalta a necessidade de o país ser deixado a resolver seus próprios problemas.
Obituários
Cabo Verde: Família e artistas apelam ao estudo de Norberto Tavares
2011-01-10
http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article60095&ak=1
Terminou a jornada de um “badiu”, o homem que durante 35 anos deu a volta ao mundo, empunhando a música e Cabo Verde como bandeiras. Sempre. Norberto Tavares voltou domingo, 2 de Janeiro de 2011 à Fonte..., onde nasceu no dia 6 de Junho de 1956. À sua terra da esperança, que é Assomada, é Cabo Verde. E fica a alma do Homem na sua vastíssima obra que a família quer ver preservada, para servir as futuras gerações.
Moçambique: Morreu o pintor moçambicano Malangatana
2011-01-10
http://www.publico.pt/Cultura/morreu-o-pintor-malangatana_1473653?all=1
O pintor moçambicano Malangatana morreu aos 74 anos, esta madrugada, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vítima de doença prolongada, segundo a direcção do hospital. O pintor, de 74 anos, encontrava-se internado há vários dias naquele estabelecimento hospitalar. Malangatana vendeu os primeiros quadros há 50 anos e com o dinheiro arranjou uma casa e foi buscar a família para Maputo. Meio século depois, morreu um homem do mundo, um amigo de Portugal e um dos moçambicanos mais famosos.
Blog da África
Moçambique: O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos?
Carlos Serra
2011-01-10
http://oficinadesociologia.blogspot.com/2011/01/o-que-e-mocambique-quem-sao-os_07.html
De facto, sempre que lutou contra um Estado ou um Império, o colonizador pôde tirar partido da cooptação entre múltiplos actores, ambições e ressentimentos - muitas vezes de natureza etno-política - jamais anulados pela força militar e administrativa da facção aristocrática dirigente.
Sumário da Edição Francês
Pambazuka News 173 : Olhares africanos sobre a situação na Costa do Marfim
2011-01-11
http://pambazuka.org/pt/category/summaryfr/70020
As eleições na Costa do Marfim: crônica de uma falha anunciada.
Pierre Sané
2011-01-09
http://pambazuka.org/fr/category/features/69916
Se a Costa do Marfim está hoje em dia num impasse que risca chegar a um conflito armado com consequencias terríveis para o país e para toda a subregião, o caminho foi bem balizado para chegar a tal situação. Pierre Sané releva três erros no processo eleitoral. Pierre Sané discute as circunstancias que levaram a contestação dos resultados das eleições e ressalta a necessidade de o país ser deixado a resolver seus próprios problemas.
Mulheres & Gênero
Global: ONU denuncia aumento de violência sexual no Congo, na Costa do Marfim e no Haiti
2011-01-10
http://tinyurl.com/25ayj8z
A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para o aumento das denúncias de casos de violência sexual em países que vivem situação de conflito, como o Congo e a Costa do Marfim, na África, e o Haiti, no Caribe. A representante especial da ONU na área de violência sexual em conflitos, Margot Wallström, apelou para que as autoridades públicas redobrem a atenção em torno das acusações. Wallström disse que a violência sexual é usada como “arma tática de guerra” e que a impunidade “não pode mais ser tolerada”. “[Além do Congo] também estou preocupada com a violência no Haiti e na Costa do Marfim, com o uso da violência sexual como arma tática de guerra ou a fim
de espalhar o terror contra os opositores políticos é inaceitável”, disse ela.
Refugiados & migração forçada
Angola: Desembarques de imigrantes clandestinos preocupam as autoridades
2011-01-10
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=29045&catogory=Angola
A Polícia Nacional angolana impediu no último fim-de-semana a entrada ilegal mais de 50 cidadãos estrangeiros, oriundos da África Ocidental, que procuravam entrar no país de barco a norte de Luanda. Até ao início da noite de domingo, foram detidos 52 cidadãos provenientes da Guiné-Bissau, Mauritânia, Chade, República do Congo, Costa do Marfim, Gabão, Mali, Serra Leoa, República Democrática do Congo e Gâmbia
Libéria: ACNUR acelera distribuição de ajuda humanitária para refugiados
2011-01-10
http://www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/liberia-acnur-acelera-distribuicao-de-ajuda-humanitaria-para-refugiados/
SACLEPEA, Libéria, 4 de janeiro (ACNUR) – O ACNUR está expandindo a distribuição de ajuda humanitária para os atuais 22 mil refugiados marfinenses que fugiram para a Libéria com o aumento da tensão pós-eleitoral na Costa do Marfim. A maioria, composta por mulheres e crianças, é oriunda da região oeste do país e necessita urgentemente de comida, abrigo e água potável – recursos estes que estão em falta nas 23 vilas que receberam os refugiados no município de Nimba, na Libéria, aonde continuam chegando.
Movimentos Sociais
Angola: Uíge transformada em feira artística
2011-01-10
http://jornaldeangola.sapo.ao/17/0/uige_transformada_em_feira_artistica
Mais de 60 expositores, entre artesãos, oleiros, músicos, escritores e artistas plásticos transformaram, no sábado, Dia da Cultura Nacional, a Praça da Independência do Uíge na maior feira de produtos artísticos nacionais e de medicamentos tradicionais. Os 64 agentes culturais expuseram aos visitantes o potencial cultural e a criatividade dos artistas da região.
A ministra da Cultura, que inaugurou a Feira de Arte e Cultura, mostrou-se bastante impressionada com os produtos expostos, particularmente com a máquina artesanal para o fabrico de adobes, material muito utilizado na construção de casas na regia, inventada por Afonso João.
Eleições e Governabilidade
Cabo Verde: Candidatos enfrentam-se a partir do dia 14 de Janeiro na TCV
2011-01-10
http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article60039&ak=1
A partir do dia 14 de Janeiro, às 21 horas, os cabo-verdianos poderão acompanhar uma série de três debates entre os principais candidatos às eleições legislativas de 6 de Fevereiro.O confronto vai ser transmitido em directo e em simultâneo pela Rádio de Cabo Verde (RC V) e pela Televisão Cabo Verde (TCV), conforme sugeriu os próprios partidos. O Director da TCV, Álvaro Ludgero, informa que os debates entre os principais líderes dos partidos, com excepção do Partido Social Democrata (PSD), de João Além, começam no dia 14 de Janeiro (próxima sexta-feira) com o confronto entre José Maria Neves (PAICV), Carlos Veiga (MpD), António Monteiro (UCID) e João Rosário (PTS).
Sudaneses encaram fila para votar no segundo dia de referendo
2011-01-10
http://tinyurl.com/268jlw7
Milhares de sudaneses do sul esperavam em longas filas na manhã desta segunda-feira (10) para votar no referendo que determinará a independência de sua região, cujos trabalhos foram abertos no domingo e vão até o próximo sábado. Na universidade de Juba, capital do Sudão do Sul, milhares de eleitores aguardavam pacientemente do lado de fora das mesas de votação. Muitos passaram a noite na fila.
Sudão: Presidente sudanês desdramatiza eventual divisão do país
2011-01-10
http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=11273718&indice=0&canal=401
Cartum – O Presidente do Sudão, Omar Al-Bashir, afirmou que a eventual secessão do Sudão Sul, após o referendo de autodeterminação de domingo, não significa o fim de uma revolução que ele dirigiu desde 1989. "Será um estimulante para o prosseguimento da aplicação da lei islâmica, a Charia, com a infelificidade dos nossos detratores", declarou o líder sudanês durante uma cerimónia de inauguração de uma nova ponte construída por empresas turcas em Cartum. Segundo as primeiras indicações, as populações do Sudão Sul vão provavelmente votar pela sua separação do país.
Sudão: Início positivo para referendo do Sul do Sudão
2011-01-10
http://tinyurl.com/2fhoc2n
No Sudão está a decorrer desde domingo o referendo sobre a independência do Sul em relação ao Norte. A votação foi alvo de uma adesão em larga escala. Os sudaneses do Sul do Sudão, que residem no norte do país, também votaram mas o ambiente foi mais contido.
Sudão: Emancipação do sul vai criar instabilidade no Sudão, diz Bashir
2011-01-10
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/01/emancipacao-do-sul-vai-criar-instabilidade-no-sudao-diz-bashir.html
O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, afirmou que o sul do país vai atravessar um período de instabilidade, caso decida se separar do norte no referendo que começa neste domingo (8).
Em entrevista à rede de televisão al-Jazeera, ele disse que o sul sudanês não seria capaz de formar um Estado estável nem sustentar os seus cidadãos.
O repórter da BBC em Cartum, James Copnall, afirmou que os comentários de Bashir devem irritar o SPLM, o partido de ex-rebeldes que governa o sul desde o fim da guerra civil, em 2005.
Neste sábado, aconteceram os últimos comícios antes do referendo. A expectativa é de uma vitória acachapante do 'sim', criando o mais recente país do mundo.
Nigeria: Obasanjo optimista face à Costa do Marfim
2011-01-10
http://tinyurl.com/2btwz2y
O antigo Presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, afirma que está optimista e que é possível alcançar uma solução para a crise política na Costa do Marfim. Obasanjo falava durante uma visita a Abidjan, depois de dois dias de conversações com o Presidente Laurent Gbagbo e o seu rival Alassane Ouattara.
Desenvolvimento
África do Sul: África do Sul é a partir de hoje a voz do continente africano no Conselho de Segurança
2011-01-10
http://tinyurl.com/2dacmoc
Para a ministra sul-africana das Relações Exteriores, Maité Nkoana-Mashabane, o seu país "está empenhado em contribuir para os trabalhos do Conselho em manter a paz e a segurança internacionais, especialmente em África, e na melhoria das condições de vida de todos os povos". Pela segunda vez (a primeira foi em 2007/2008), Pretória é a portadora dos anseios e necessidades particulares dos africanos num fórum internacional dotado de poderes para influenciar processos políticos e intervir em zonas de atrito e conflito no mundo inteiro, uma responsabilidade que os responsáveis políticos sul-africanos assumem sem ambiguidades apesar de alguma controvérsia gerada em torno do seu primeiro mandato no Conselho de Segurança.
Angola: Censo da população será em 2013
2011-01-10
http://www.ibinda.com/noticias.php?noticia=6881
Luanda - O ministro da Administração do Território angolano, anunciou esta terça-feira, que o censo geral da população angolana deverá ser realizado em 2013. A informação foi adiantada esta terça-feira, na aldeia de Teka dia Kinda, em Malanje, pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, quando presidia, em representação do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, ao acto central das comemorações do Dia dos Mártires da Repressão Colonial, assinalado ontem em todo o território nacional.
Cabo Verde: Ribeira Grende de Santiago e Ribeira Grande de Santo Antão vão geminar-se
2011-01-10
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=29053&catogory=Cabo%20Verde
Ribeira Grande de Santiago e Ribeira Grande de Santo Antão vão geminar-se. O acordo de geminação deverá ser assinado este mês de Janeiro, porventura no decorrer das Festas do Santo Nome de Jesus, na Cidade Velha. Com este acordo fecha-se o “circuito Ribeira Grande”, uma vez que os dois Municípios cabo-verdianos já são geminados com a Ribeira Grande da ilha de S. Miguel, Região Autónoma dos Açores, Portugal.
Guiné Bissau: Governo do Brasil vai construir laboratório para tratamento da tuberculose
2011-01-10
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=28940&catogory=S%20Tom%E9%20e%20Pr%EDncipe
O Governo brasileiro vai construir, no principal hospital de São Tomé, Ayres de Menezes, "um laboratório de referência" para o diagnóstico e tratamento da tuberculose, avaliado em mais de 1,3 milhões de dólares (980 mil euros). Os dois governos assinaram um acordo para o efeito na quinta-feira, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comunidades são-tomense. O acordo define todo o primeiro semestre de 2011 como período para conclusão das obras e apetrechamento em materiais e equipamentos e capacitação dos quadros para trabalharem nesse novo laboratório. "Fazemos votos para que ele seja tão bem sucedido como os demais projetos que compõem a extensa pauta da cooperação rasileira", disse Artur Mayer, embaixador brasileiro acreditado em São Tomé e Príncipe e signatário do acordo pela parte brasileira.
Guiné Bissau: Reafirma Angola disposição de ajudar a Guiné Bissau
2011-01-10
http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=253471&Itemid=1
Bissau, 8 jan (Prensa Latina) Angola reafirmou hoje sua disposição de ajudar a Guiné Bissau no processo de reforma do sistema de defesa e segurança e no lucro da estabilidade econômica. O secretário de Estado angolano para as Relações Exteriores, Manuel Augusto, quem preside uma delegação de visita nesta capital, assegurou que se implementa o programa de cooperação técnico militar entre ambas nações, estabelecido mediante um acordo.
Portugal: Empresários da região de Lisboa promovem missões empresariais a África
2011-01-10
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=29050&catogory=CPLP
A Associação Empresarial da Região de Lisboa (AERLIS) vai promover em 2011, cinco missões aos mercados africanos. As missões visam países como Moçambique, Marrocos, Cabo Verde, Angola e Tunísia, e começam no final de Março estendendo-se até Novembro. A primeira missão internacional, a Moçambique, terá lugar de 20 a 27 de Março. Segue-se, de 9 a 14 de Maio, uma visita a Marrocos e Cabo Verde será alvo de uma prospecção de oportunidades de negócio entre 26 de Junho e 1 de Julho.
GLBT
Brasil: adolescente é espancado pelo padrasto ao se assumir homossexual e mãe perde guarda
2011-01-10
http://www.lambda.org.mz/mundo/adolescente-agredido-revelar-homossexualidade.html
Um adolescente de 16 anos, de Catanduva, SP, foi agredido violentamente por seu padrasto, Sivaldo Bispo dos Santos, quarta-feira finda dia 8/12/10, ao contar que era homossexual. A mãe, que presenciou a agressão de seu companheiro sobre seu filho, perdeu a guarda temporária do menor que foi morar com o pai. Segundo o delegado Pedro Artuzo, “A mãe deverá ser punida por não ter feito nada para defender o adolescente”.
Racismo e Xenofobia
Brasil: Preconceito nunca se apresenta claramente", diz 1º embaixador negro do Brasil; leia relato
2011-01-10
http://tinyurl.com/2cb8bro
Meu pai foi agente de portaria, um contínuo (...) O preconceito nunca se apresenta claramente. No campo das relações humanas, você nota reação positiva ou negativa (...) É preciso que haja ações afirmativas (...) Eu não me beneficiei de nenhuma política. Na minha época, isso não havia. Filho de um contínuo, Benedicto Fonseca Filho, 47, foi promovido em dezembro a embaixador, o primeiro negro de carreira. E o mais jovem. Passou por Buenos Aires, Tel Aviv e Nova York. Vai chefiar o departamento de Ciência e Tecnologia. Ele declara orgulho de ser negro e filho de pais humildes que o educaram para chegar ao topo na casa mais aristocrática do país.
Meio Ambiente
Cabo Verde: Cabo Verde é um doas paíse contemplados no Fundo Francês para o Ambiente
2011-01-10
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=29029&catogory=Cabo%20Verde
Cabo Verde é um dos países contemplados com um financiamento do Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial (FFEM), de dois milhões de euros, refere uma nota divulgada pelo comité de luta contra a seca. O acordo de financiamento foi rubricado no quadro do Programa Regional de Gestão Sustentável de Terras (PRGDT), a ser implementado pelo CILSS (Comité Inter-Estado de Luta contra a Seca no Sahel) com o apoio de três parceiros técnicos e financeiros, a União Europeia (UE), o Centro de pesquisa canadense (IDRC) e o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O Programa vai cobrir vários países das zonas de intervenção do CILSS e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), sendo que o financiamento do Fundo Francês vai englobar nove desses Estados.
Mídia e liberdade de expressão
Costa do Marfim: Sociedade civil ivoiriense denuncia consfisco da imprensa pública por campo de Laurent Gbagbo
2011-01-10
http://tinyurl.com/236eu53
Organizações da sociedade civil ivoiriense denunciaram o confisco da imprensa pública com objetivos de propaganda por um único campo e defenderam o fim da difusão de mensagens de ódio e de violência por estes órgãos. No termo da sua convenção geral extraordinária organizada quarta e quinta-feiras em Abidjan, as organizações da sociedade civil indicam que, para um apaziguamento do clima político pós-eleitoral, deve ser posto termo à propangada política e à difusão de mensagens de ódio e de violência na imprensa pública.
Mauritânia: Militante antiesclavagista condenado à prisão na Mauritânia
2011-01-10
http://tinyurl.com/2fsw783
O presidente da Iniciativa para a Ressurgência do Movimento Abolicionista (IRA) na Mauritânia, Biram Ould Dah Ould Abeid, foi condenado a um ano de prisão, incluindo seis meses efetivos, pelo Tribunal Correcional de Nouakchott, soube a PANA de fontes judiciais. O militante antiesclavagista foi acusado de « violências, assaltos e agressões contra agentes da força pública » a 13 de dezembro último numa esquadra da Polícia do subúrbio de Nouakchott.
Bem-estar social
Argélia: Protestos contra subida de preços fazem cinco mortos
2011-01-10
http://www.bissaudigital.com/noticias.php?noticia=8285
Argel – Os motins que se verificaram na Argélia nos últimos dias, em protesto contra o desemprego e subida do preço dos bens essenciais, já fez cinco mortos. A quinta vítima, Sadek Bendjedid, de 65 anos, é um motorista de táxi, que morreu no hospital, na sequência da inalação de gás lacrimogéneo nos confrontos de Annaba, na Argélia. Não se sabe se o homem participava directamente nas manifestações.
Notícias da diáspora
Brasil: Novo Governo quer consolidar a cidadania negra
2011-01-10
http://jornaldigital.com/noticias.php?noticia=24801
Brasília – A nova ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial brasileira, Luiza Helena de Bairros, afirmou que é preciso potencializar as acções governamentais para consolidar a cidadania negra. Ao ser empossada do cargo, Luiza de Bairros afirmou que as áreas de educação, saúde e segurança são as prioridades da sua pasta. «As taxas de homicídio entre os jovens negros têm crescido de forma assustadora», disse a ministra, lembrando que a Presidente Dilma Rousseff «recomendou expressamente» que se iniciasse um processo de diálogo com o Ministério da Justiça.
Conflitos e emergências
Cabo Verde: Carlos Veiga acusa Pedro Pires de favorecer estratégia de Gbagbo
2011-01-10
http://www.bissaudigital.com/noticias.php?noticia=8276
Praia - O presidente do Movimento para a Democracia (MpD) Carlos Veiga, condenou o envolvimento do Presidente cabo-verdiano na missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) enquanto mediador da crise política na Costa do Marfim acusando-o de defender a estratégia de Gbagbo. O líder do maior partido da oposição cabo-verdiana disse que a continuidade do Chefe de Estado na missão «deixou de ser positiva quer para os objectivos desta, quer para a própria imagem e diplomacia de Cabo Verde no seio da CEDEAO».
Cabo Verde: José Brito: “Uma guerra na Costa do Marfim teria sido um desastre humanitário grave”
2011-01-10
http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article60135&ak=1
O governo de Cabo Verde apoia “sem reservas” a mediação do presidente Pedro Pires na Costa do Marfim. Segundo o ministro José Brito, natural desse país oeste-africano, o importante nesta fase é que se conseguiu travar a “dinâmica de guerra”. Uma guerra na Costa do Marfim, garante Britô, “teria sido um desastre humanitário grave”.
Guiné Bissau: Magistrados da Guiné-Bissau iniciam na terça-feira greve de seis dias
2011-01-10
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=29054&catogory=Guin%E9%20Bissau
Os magistrados da Guiné-Bissau vão voltar a paralisar o sector da justiça no país, com uma greve de seis dias, refere uma nota divulgada à imprensa. Segundo a nota, a greve decorre entre terça e quinta-feira, e entre os próximos dias 11, 12 e 13 de Janeiro. A paralisação foi convocada pela Associação Sindical dos Magistrados Guineenses, Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e Sindicato Nacional dos Oficiais da Justiça.
Guiné-Bissau: Juristas da União Africana preparam legislação sobre combate ao tráfico de droga
2011-01-10
http://jornaldigital.com/noticias.php?noticia=24849
Luanda – Juristas angolanos e moçambicanos, em representação da União Africana (UA), vão ajudar a preparar a legislação sobre o combate ao tráfico de droga na Guiné-Bissau. De acordo com o representante permanente da União Africana na Guiné-Bissau, Sebastião da Silva Isata, os juristas que serão enviados para a Guiné-Bissau, terão também a missão de assistir os seus colegas guineenses na reformulação do sistema legal nacional no quadro da anunciada reforma geral do sector de Defesa e Segurança
Líbia: Kadafi denuncia divisão de África
2011-01-10
http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=11272176&indice=0&canal=401
Tripoli - O líder líbio, Muamar Kadafi, afirmou que o continente africano permanece no impasse contra o qual advertiu o ex-Presidente do Gana, Kwame Nkrumah, desde 1963 e continuará nesta situação enquanto o continente não formar um Governo único, segundo noticia a agência Panapress. Kadafi acrescentou, durante um encontro no fim-de-semana em Tripoli com uma delegação de reis, sultãos, príncipes e sobas do Quénia, que os presságios de Nkrumah se concretizaram, pois desde 1963 África está em perdição e continua a ser colonizada, os seus recursos pilhados e as suas riquezas e matérias-primas exploradas para fazer funcionar as indústrias das antigas potências coloniais que consideram o continente como uma reserva.
Sudão: Confrontos na fronteira norte-sul do Sudão deixam 23 mortos
2011-01-10
http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE70900O20110110
Pelo menos 23 pessoas morreram em confrontos com árabes nômades próximo à fronteira entre o norte e o sul do Sudão, disseram líderes na disputada região de Abyei nesta segunda-feira, no segundo dia do referendo de uma semana sobra a independência do sul.
Tunísia: Pelo menos 23 pessoas mortas a tiro nos motins da Tunísia
2011-01-10
http://tinyurl.com/2ce7g93
Sábado e domingo foram os dias mais violentos de uma vaga de contestação contra o desemprego que se arrasta já desde Dezembro. A oposição, reunida de emergência em Tunes, falava domingo em cerca de 20 mortos. O diário francês conseguiu recolher o nome de 23 vítimas em três cidades: Kessarine, Thala e Ragueb. Mas sublinha que o balanço pode crescer. “Consegui visitar o hospital de Kasserine. Vi muitos feridos e também mortos, mas sou incapaz de dar números”, disse ao jornal Chabari Mezi, professor e sindicalista.
Fahamu – Redes para Justiça Social
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